As grandes regiões do mundo vinícola: Velho Mundo – parte final

Finalizando o nosso tour pelo Velho Mundo, vamos falar de algumas regiões de menor expressão, mas que nem por isso fabricam vinhos de menor qualidade. Apenas sua produção não justificaria um texto só para si.

Comecemos, então, pela Áustria que vizinha da Alemanha, tem a cultura vinícola bem semelhante, com a maior parte sendo de vinhos brancos. São quatro grandes áreas cultivadas que englobam cerca de 20 regiões produtoras e mais de 20 mil produtores utilizando 32 variedades de cepas. A maioria dos vinhos produzidos é enquadrada como DOC pelas classificações austríacas e, não raro, recebem altas pontuações por especialistas internacionais. A uva mais comum é a Grüner Veltliner para brancos e a tinta Blauer Zweigelt.

Seguindo agora para a Hungria e sua produção antiga e sistema de classificação que veio antes mesmo do francês. O país tem a atividade vinícola como uma de suas principais na agricultura e conta com mais de 20 regiões produtoras e as variedades são: Furmint, Leányka, Szürkebarát, Kéknyelű, Muskotályos, Ezerjó, Hárslevelű, Kadarka, Kékoportó e Kékfrankos. Seus vinhos passaram desconhecidos do mundo por grande parte do século XX por conta da Cortina de Ferro, mas com a o fim da Guerra Fria e a busca pela excelência na produção vinícola, a bebida vinda da Hungria ganhou bastante destaque no cenário mundial. E, embora seja um vinho tido como aperitivo ou de sobremesa, o Tokaj é a maior jóia do cenário vitivinícola húngaro, sendo famoso e apreciado há séculos.

Andando mais pouco, chegamos à Grécia. Mesmo que sua produção possa ter sido iniciada muito anos antes de Cristo, não se modernizou até o século passado, mas desde que a Grécia juntou-se à União Européia, a qualidade de seus vinhos tem melhorado de forma surpreendente. São mais de 250 variedades espalhadas tanto pela parte continental como pelas ilhas, gerando vinhos sofisticados, com personalidade e muito agradáveis. O mais famoso dos vinhos gregos é o Retsina, feito através da inserção de resina de pinheiro durante a fermentação do vinho branco. Tem um paladar único e alguns ainda adicionam água com gás, o que faz com que a bebida fique bem parecida com um delicado espumante.

E, assim, encerramos a viagem pelos países e vinhos do Velho Mundo. Lembrando que existem regiões produtoras de menor expressão em países como Dinamarca, Bulgária, República Tcheca, Croácia, Geórgia, Suíça e Turquia, mas sua produção não é relevante o bastante numérica e nem qualitativamente para maiores apresentações. Em breve iniciaremos a passagem pelo Novo Mundo, com sua recente produção, mas não menos dedicada, inovadora e – até mesmo – famosa.

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As grandes regiões vinícolas do mundo: Portugal

Apesar de sua longa tradição vitivinícola, a produção demorou demais a evoluir. O resultado foi a demora na produção de vinhos de qualidade, porém, nas últimas décadas isso vem mudando, com Portugal sendo elevado ao nível de potência no ramo de vinhos. Felizmente, esse avanço tecnológico na produção portuguesa não se desfez das coisas positivas, como o uso de variedades de uvas tradicionalmente portuguesas.
As uvas portuguesas, com a ajuda da tecnologia, melhoraram exponencialmente de qualidade, elevando consigo o nível da produção. E, graças a essa variedade de castas únicas nacionais, temos desde o vinho verde, jovem e fresco, até o generosíssimo Porto.

Com a tendência global de unificação das classes de vinhos, vamos às divisões dos vinhos portugueses:

Vinho de Mesa: vinho de baixa qualidade, feito em qualquer região do país e para consumo diário;
Vinho Regional: o que é produzido com, ao menos, 85% de uvas naturais da região demarcada;
Vinho de Denominação de Origem Controlada (D.O.C.): a mais alta classificação dos vinhos portugueses, identifica região, método de vinificação, variedade utilizada, tempo de envelhecimento, entre outras características de especificidade da produção;
Vinho de Qualidade Produzido em Região Determinada (V.Q.P.R.D.): vinho de alta qualidade e número limitado, respeitando normas quanto a castas de uvas, aroma, cor, sabor e limpidez. A categoria ainda contém os vinhos D.O.C e I.P.R. (Indicação de Proveniência Regulamentada), também aplicada aos vinhos licorosos (VLQPRD – Vinho Licoroso de Qualidade Produzido em Região Determinada) e aos espumantes (VEQPRD – Vinho Espumante de Qualidade Produzido em Região Determinada).

Além dessas classificações, os vinhos portugueses Também podem ser:

Reserva: deve ter graduação alcoólica meio grau acima do não reservado, envelhecer, no mínimo, 3 anos e sempre têm origem e safra determinada;
Garrafeira: são vinhos de adega, que podem ou não ser D.O.C. mas precisam necessariamente passar 3 anos em adega: dois em madeira e um em garrafa.

São sete as regiões vinícolas de Portugal. Vamos a elas.

Alentejo
A sudeste de Portugal, a região é composta por 8 sub-regiões: Portalegre (DOC), Borba (DOC), Redondo (DOC), Reguengos (DOC), Vidigueira (DOC), Évora (IPR), Granja-Amareleja (IPR) e Moura (IPR). Seus vinhos são tintos encorpados, robustos e complexos, embora seja menos expressiva, há a produção de vinho branco também. As principais uvas são: Aragonês (Tinta Roriz ou Tempranillo, como é conhecida na Espanha), Trincadeira (Tinta amarela), Periquita (Castelão Francês), Alfrocheiro Preto e Roupeiro.

Bairrada
Localizada a noroeste do país, a região produz tintos longevos, brancos dourados e os melhores espumantes portugueses. Todos notáveis pela coloração intensa, aromas florais e grande caráter tânico. As principais uvas são: Baga, Bastardo, Camarate, Jaen, Arinto e Bical.

Dão
No centro-oeste de Portugal, essa região produz vinhos tintos secos e complexos, com grande potencial de envelhecimento e brancos florais, vivos e bastante aromáticos. Seu clima é parecido com o da Provence francesa, assim como sua paisagem. As principais castas são: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Pinheira, Alfrocheiro Preto, Jaen, Encruzado, Assario Branco e Borrado das Moscas.

Douro
É o berço do vinho do Porto. Mas não é só disso que sobrevive. A região vem modernizando a produção e, atualmente, tem alguns dos melhores e mais bem pontuados vinhos do mundo. Tanto que é possível até mesmo comparar os vinhos produzidos pelo grupo conhecido como Douro Boys aos grandes da Borgonha e Bordeaux. As principais uvas são: Touriga, Touriga Francesa, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Tinta Cão, junto com Ruby e Tawny, as uvas tradicionais dos vinhos do Porto.

Madeira
Localizada a 750 km da costa portuguesa, essa ilha de solo vulcânico produz vinhos de acordo com o mercado pra onde exportará. Assim, sendo, possui diferentes classificação de acordo com a uva, mas é necessário que os vinhos contenham, ao menos, 85% da uva que lhes dá nome em sua composição são as uvas: Sercial que produz um vinho seco e fortificado após a fermentação; Verdelho, uma versão leve do Sercial; Terrantez, um vinho levemente doce e fortificado enquanto fermenta; Bual, semi doce e também fortificado durante a fermentação; Malmsey ou Malvásia vinho doce e fortificado, como o Porto. Quanto à idade podem ser Colheita (de um só vinhedo com 20 anos de envelhecimento em carvalho), Reserva Extra (envelhecimento em carvalho por 15 anos e em garrafa por 10) e Reserva (cinco anos em carvalho e garrafa).

Minho
É a região produtora do famoso Vinho Verde. Localizada na parte mais norte de Portugal, é delimitada pelo rio Minho, rio Douro, oceano Atlântico e uma cadeia de montanhas, seus vinhos têm esse nome porque as uvas, além de serem verdes, são colhidas prematuramente. Seus vinhos são frescos, complexos e bastante frutados, as principais castas são: Alvarinho, Loureiro, Treixadura, Arinto e Avesso.

Setúbal
Situada ao redor de Lisboa, a região é conhecida por vinhos doces, em especial os da uva Moscatel. O clima ameno e com ventos quentes é muito propício à produção vinícola. De lá também vem o conhecidíssimo vinho Periquita. As principais castas são a Moscatel e a Castelão.

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As grandes regiões vinícolas do mundo: Alemanha

A viticultura na Alemanha data da época do Império Romano, porém, clima, solos e incidência de luz sempre foram grandes problemas na fabricação vinícola da região. Não bastassem esses fatores, cultivo e produção ta,bem foram recentemente afetados por acontecimento políticos e históricos, de forma que uma produção já difícil acabou por perder muito em qualidade, coisa que apenas veio a mudar com a Lei do Vinho alemã, de 1970. Ainda assim, a Alemanha é o berço de finíssimos vinhos brancos, em sua maioria, compostos por uvas Riesling e suas variedades e clones.

Os vinhedos que originam as bebidas mais finas estão localizados em encostas íngremes, em vales de rios, onde bolsas de ar quente e movimentos sinuosos moderam as possibilidades de geada. Aliás, as variações climáticas são o maior desafio que a produção vinícola alemã enfrenta: tudo pode varias absurdamente de uma encosta à outra. E as uvas absorvem essas modificações, refletindo no produto final. Juntando-se a isso, existem as diferenças bruscas entre os solos, luminosidade insuficiente, geada, altitude e ventos frios, fazendo com que o cultivo vitivinícola seja um empreendimento de alto risco. As áreas próprias ao cultivo quase nunca ultrapassam a marca de 2 hectares e os vinhedos mais famosos possuem mais de um proprietários divergindo em muitos aspectos. A colheita é outro entrave, bem como o custo de manutenção do profissional qualificado para avaliar a hora correta.

Aquela mesma lei dos anos 1970, que regulamentou a produção alemã a colocou mais alinhada com as outras leis européias que definem o mercado vinícola, tentando explicar a abolição de algumas denominações e explicando as novidades. Os rótulos alemães são os mais ricos em informação e isso deve-se ao difícil processo de cultivo da região. Hoje em dia, as plantações são classificadas dentro de diversas categorias, a mais ampla sendo a das regiões de cultivo (Anbaugebiete): Ahr, Mittelrhein, Mosel-Saar-Ruwer, Rheingau, Nahe, Rheinhessen, Franken, Hessische Bergstrasse, Rheinpfalz, Wurttemberg, Baden, Sachsberg, e Saale-Unstrut. Do texto publicado na Enciclopedia do Vinho temos uma definição mais ampla:

“Na mais baixa escala de qualidade, cada região vinícola é divida em amplos grupos regionais chamados de Bereich, e dentro do grupo Bereich, divididos em Grosslagen, que são pequenas vilas ou grupos regionais que teoricamente possuem atributos em comum. Em minoria, a mais alta categoria potencial é a Einzellagen, ou vinícolas únicas, indicadas no rótulo da garrafa por vilarejo e vinhedo, por exemplo, Erdener Prälat, que vem do vilarejo de Erden e do vinhedo Prälat.”

Ainda há o problema da nomenclatura complicada dos rótulos, que, graças a classificações regionais, podem levar à confusão de um vinho de qualidade alta com um inferior apenas porque vieram da mesma região. Porém os regulamentadores alemães já trabalham em melhorar a identificação nos rótulos e ajustando as regras, de forma a unificar características.

Diferente dos vinhedos franceses, os alemães não têm classificações de acordo com suas heranças históricas. Na Alemanha, os vinhos são analisados a cada safra, por laboratórios governamentais e, então, classificados de acordo com a importância, se são fiéis às características históricas. Enfim, são avaliados de forma branda e, se você está interessado em vinhos alemães, é bom que procure pelos melhores produtores e vinhedos, independente do que diz o rotulo. As classificações gerais são:

Tafelwein: é o vinho de mesa, do dia a dia, sem grandes qualidades;
Deutscher Tafelwein: é o vinho de mesa tipicamente alemão, sem a adição de uvas importadas. Produzido apenas em 8 regiões demarcadas;
Landwein: é um vinho necessariamente seco ou meio seco, básico e que se submete a poucas regulamentações;
Qualitätswein: é o equivalente das denominações de origem européias, mas, como já foi dito, os vinhos são analisados safra a safra, de acordo com tipicidades e precisão de regiões, retirando um pouco do prestígio e exclusividade do titulo. Dentro dessa categoria temos:
QBA (Qualitätswein bestimmter Anbaugebiete): qualidade de uma região determinada, é menos distinta, mas permite aos produtores a experimentação, como envelhecimento em carvalho. E o açúcar é obrigatoriamente adicionado.
QMP (Qualitätswein mit Prädikat): são vinhos de melhor qualidade, terrivelmente doces, embora o produtos final tenda a meio seco, apenas.Não há adição de açúcar e divide-se em Kabinett, Spätlese, Auslese, Trockenbeerenauslese e Einswein.

A Alemanha divide-se em 13 grandes regiões produtoras de vinho. São elas:

Ahr
Produz, em sua maioria, vinhos leves e tintos, geralmente, de seleções tardias e níveis médios de doce. Atualmente, tem-se investido na maturação em carvalho, aos moldes borgonheses. A principal uva é a Spätburgunder.

Baden
É a região mais extensa da Alemanha, também é a mais quente. Por sua luminosidade crescente, é crescente a quantidade de álcool nos vinhos, o solo de granito a norte da localidade confere maior charme a suas uvas brancas. As principais uvas são Riesling, Müller-Thurgau, Grauburgunder (Pinot Gris ou Ruländer), Weissburgunder e Spätburgunder.

Franken
A área margeia o rio Main até que ele se junte ao Rhein, tem verões curtos e muita geada e são pouquíssimas as áreas próprias ao cultivo de vinho. As principais umas são a Müller-Thurgau e a Sylvaner.

Hessische Bergstrasse
É a menor das áreas vinícolas da Alemanha, com aproximadamente 960 hectares cultivados. Seus vinhos são secos e bem reputados nos Einswein. A principal uva é a Riesling.

Mittlerhein
É uma região pequena, com vinhedos em declive e solo de ardósia. Seus vinhos não são consumidos localmente, sem exportação. As principais castas são Riesling e Müller-Thurgau.

Mosel-Saar-Ruwer
É a região alemã mais conhecida, é margeada pelo rio Mosel. Detém a produção de mais de 60 Einzellagen de alta qualidade. A região central, e mais especificamente, Mosel tem as uvas mais finas e maior excelência. Para ajudar na captação de calor, ardósias apodrecidas são espalhadas pelos vinhedos. As principais uvas são a Riesling e a Müller-Thurgau.

Nahe
Com um clima seco, essa área produz uma diversidade enorme de vinhos. Cerca de 70% de seus vinhedos fica em declive, produzindo ótimos Einzellagen.As principais uvas são Riesling e Müller-Thurgau.

Pfalz
Conhecida pela riqueza de seus Riesling, a região vem inovando sua produção graças a jovens enólogos, incluindo – até mesmo – envelhecimento em carvalho de algumas safras. As principais castas são Riesling, Müller-Thurgau, Scheurebe, Weissburgunder, Grauburgunder e Spätburgunder.

Rheingau
Sob o jugo de nobreza e Igreja, essa região de solos variados produz um vinho doce e suave como o mel, mas vigoroso, com sinais de terra e fim longo. Como o clima aqui é um pouco mais quente e propício ao desenvolvimento de botrytis, os produtores conseguem criar excelentes safras de Riesling, Beerenauslese, Trockenbeerenauslese e Eiswein, que junto com a Spätburgunder, são as principais uvas da região.

Rheinhessen
É a maior região produtora da Alemanha, porém a maioria de seus vinhos é feita para Liebfraumilch, porém produz também ótimos vinhos com Sylvaner.

Saale-Unstrut
A região, de clima frio e pouca precipitação, foi negligenciada durante anos, porém seus vinhos, mesmo com baixo teor alcoólico são bastante concentrados. As principais uvas são Müller-Thurgau, Sylvaner, Bacchus, Gutedel (Chasselas), e Weissburgunder (Pinot Blanc).

Sachsen

É a menor região e também mais ao norte. Produz vinhos tradicionalmente secos e suas principais uvas são: Müller-Thurgau, Riesling, Weissburgunder (Pinot Blanc), Traminer e Ruländer (Pinot Gris).

Württemberg
Seus vinhedos são alinhados com o rio Neckar e a maioria da produção é de tintos. As vinhas se localizam primariamente em declives e as principais uvas são Lemberger, Trollinger e Dornfelder.

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As grandes regiões vinícolas do mundo: Espanha

A próxima parada de nossa viagem virtual é a Espanha. O país tem a maior área cultivada de vinhedos do planeta, o que não significa que seus vinhos sejam mundialmente famosos ou exportados, mas ela tem grandes vinhos e desconhecê-los empobrece um pouco a experiência no mundo do vinho. Atualmente, a Espanha abriga cerca de 50 regiões D.O.s com vinhos consumidos localmente e exportados em pequeníssimas quantidades. Mesmo com o crescimento internacional do interesse pelos vinhos espanhóis, as exportações são raras ainda – especialmente para o Brasil.
De acordo com a qualidade, os vinhos espanhóis podem receber três classificações:

Vino de Mesa
O mais baixo na escala de qualidade dos vinhos produzidos na Espanha. Pode ser feito em qualquer região do país e não de enquadra em nenhuma Denominación de Origen D.O.

Vino de la Tierra
O vinho de mesa mais refinado, geralmente fabricado na região central do país, mas ainda não de enquadra em nenhuma D.O.

Vino de Denominación de Origen
É o maior atestado de qualidade, significa que o vinho foi feito regiões demarcadas e sob rígidas regras de controle da produção, desde o tipo de solo até o envelhecimento. É a equivalente espanhola da francesa AOC e da italiana DOC.
Os vinhos espanhóis ainda podem ser classificados de acordo com o tempo de envelhecimento, hábito que começou em Rioja e, atualmente, já faz parte dos critérios da maioria das DOs espanholas. São elas:

Vino joven ou Vino Sin Crianza ou Vino del Año
: vinho cujo tempo de permanência envelhecendo não é o bastante para que seja caraterizado como Crianza. Um vinho jovem.
Vino de Crianza: vinho que passou, pelo menos, dois anos envelhecendo. E dentro desses dois anos teve permanência mínima de 12 meses em barris de carvalhos, para os tintos; e 6 meses para os brancos e rosés.
Vino Reserva: vinho bastante refinado, feito nas melhores safras. Passa o tempo mínimo de 3 anos envelhecendo – com, pelo menos, um ano em barris de carvalho para os tintos – ; os brancos e rosés envelhecem por 2 anos, passando 6 meses em barris de carvalho.
Vino Gran Reserva: vinho superior feito em safras excepcionais. Passa o tempo mínimo de 5 anos envelhecendo – com, pelo menos, 2 anos em barris de carvalho para os tintos – ; os brancos e rosés envelhecem por 4 anos, passando 6 meses em barris de carvalho.

E ainda temos algumas outras classificações regionais, de acordo com o método de fabricação dos vinhos:
Vino de aguja: vinho branco frisante
Vino de licor (generoso): vinho doce, de sobremesa, fortificado
Vino dulce natural: vinho doce não fortificado
Vino gasificado: vinho não espumante feito a partir da adição de gás (CO2)

A região central espanhol engloba as D.O.s La Mancha, Méntrida, Mondéjar, Val de Peñas e Vinos de Madrid.

La Mancha
Com mais de 170 mil hectares, é a maior região vinícola do mundo. Fica ao sul de Madrid, entre Toledo e Albacete. Seus vinhos são simples, leves e frescos, tanto vinhos quanto tintos e rosés. As principais uvas são: Airén, Mabaceo, Pardillo, Verdoncho, Cabernet Sauvignon, Cencíbel, Garnacha e Moravia.

Méntrida
Localizada entre Madrid, Toledo e Ávila fabrica rosés com sabor frutado e tintos potentes, encorpados e jovens. Suas uvas principais são: Garnacha, Tinto Basto (Tinto de Madrid ou Tempranillo) e Cencíbel.

Mondéjar
Situada ao norte de Madrid, fabrica vinhos tintos de médio corpo e brancos leves e ligeiros. É a D.O. mais recente, de 1996. As principais castas são: Airén, Macabeo, Cabernet Sauvignon, Cencíbel (Tempranillo) e Garnacha.

Vinos de Madrid
Como o nome diz, a D.O. corresponde aos arredores de Madrid, produz vinhos tintos poderosos, mas um tanto rudes, brancos saborosos e rosés robustos e frutados. As principais cepas são: Airén, Albillo, Malvar, Parellada, Torrontés, Viur, Cabernet Sauvignon, Garnacha, Merlot e Tempranillo (Tinto Fino ou Cencíbel).

A nordeste da Espanha, temos 18 D.O.s, na região que inclui o País Basco e a Catalunha que são: Alella, Bizkaiko-Txakolina (ou Txacoli de Vizcaya), Calatayud, Campo de Borja, Cariñena, Cava, Conca de Barberá, Costers del Segre, Empordà-Costa Brava, Getariako-Txakolina (ou Txacoli de Guetaria), Navarra, Penedés, Pla de Bages, Priorat, Rioja, Somontano, Tarragona e Terra Alta. As mais famosas, no entanto, são Cava e Rioja.

Cava
É a D.O. dos melhores espumantes espanhóis. A maior concentração da produção está na Catalunha, numa cidadezinha próxima a Barcelona. Assim como todo vinho espumante fabricado no mundo, os vinhos são inspirados no champagne francês e, em sua maioria, feitos pelo método champenoise, o mesmo utilizado na França, fazendo com que as melhores Cavas equiparem-se em qualidade com os melhores Champagnes.
De acordo com sua quantidade de açúcar, as Cavas são classificadas como Extra-Brut ou Brut-Nature (até 6 g de açúcar / litro), Brut (até 15 g / litro), Extra-seco (12 a 20 g / litro), Seco (17 a 35 g / litro), Semi-seco (33 a 50 g / litro), Dulce (superior a 50 g / litro). Com relação ao método de fabricação, podem ser: Cava (ou método tradicional), é o método champenoise francês, onde o vinho sofre uma segunda fermentação na garrafa, com formação de bolhas; de Transferência, a diferença entre esse método e o tradicional é que o vinho é transferido a uma nova garrafa ao fim do processo; Granvás, a segunda fermentação é realizada em grandes tanques de inox, como no método francês charmat. As principais uvas são: Chardonnay, Macabeo (Viura), Malvasía Riojana (Subirat), Parellada, Xarel-lo, Garnacha e Monsatrell

Rioja
Localizada próxima a capital do País Basco, a região de Rioja divide-se em Rioja Alta, Rioja Alavesa e Rioja Baja. Rioja é a responsável pela inclusão da Espanha no cenário vinícola mundial e concentra a maior parte da produção espanhola, com aproximadamente duzentos milhões de litros de vinho; além de ter sido a primeira região a adotar as tipificações Crianza, Reserva e Gran Reserva, hoje já estabelecidas em todo o país. Dentro de sua D.O. existe um selo apenas para os vinhos engarrafados no distrito de Rioja, a D.O. Calificada. A região produz desde os tintos jovens e leves até encorpados e Gran Reserva e pequenas quantidades de brancos e rosés. Os vinhos fabricados aqui são considerados a elite da produção espanhola. Suas principais castas são: Garnacha Blanca, Malvasía, Riojana Viura, Garnacha, Graciano, Mazuelo e Tempranillo.
A noroeste da Espanha, temos La Coruña e a Galícia, já quase na fronteira com Portugal, suas D.O.s são Bierzo, Cigales, Monterrey, Rias Baixas, Ribeira Sacra, Ribeiro, Rueda, Ribeira del Duero, Toro e Valdeorras.

Bierzo
Situada na Galícia, numa área montanhosa. Produz vinhos tintos rústicos, brancos e rosés agradáveis e fáceis ao paladar. As principais cepas são: Doña Blanca, Godello, Malvasía, Palomino, Garnacha, Mencía e Tintorera.

Jerez
Uma das mais famosas regiões vinícolas espanhola também é a mais próxima da costa atlântica, ao sul de Sevilla. Assim como o Porto, o Jerez é um vinho que recebe adição de aguardente vínica, logo fica mais “forte” e alcoólico. No porto, a aguardente entra no processo durante a fermentação, produzindo uma bebida mais adocicada, já no Jerez, ele vem após esse processo, resultando num vinho seco. Seus aromas e sabores diferenciados se devem ao método de elaboração e envelhecimento, também únicos. Outra curiosidade do vinho mais famoso dessa região é que sua elaboração é feita através de uma mistura de diferentes safras, ao invés de apenas um ano. O sistema de envelhecimento ainda é o original, de Solera, com barris de carvalho americano – chamados botas – com capacidade para 600 litros; diferentes dos outros processos, onde os vinhos ficam em recipientes hermeticamente fechados, o Jerez fica em barris aerados; quando a fermentação chega ao fim e esgota os açúcares, as leveduras sobem até a superfície e formam a chamada Flor de Jerez. A flor, em suspensão no vinho e com o contado da brisa sudoeste, acaba por modificar alguns componentes do vinho, causando um envelhecimento biológico do vinho, dando ao Jerez suas características únicas.
As botas são mantidas em três fileiras sobrepostas, sendo a mais próxima do chão, a solera, contendo o vinho mais velho e pronto a ser engarrafado. Conforme retira-se uma quantidade das soleras, a mesma quantidade é retirada da fileira imediatamente acima e reposta nos barris da última fila. Todos os tipos de Jerez são envelhecidos, pelo menos, por 3 anos nesse processo; para os Finos e Manzanillas, esse é o tempo mínimo, os Amontillados precisam de 5 anos e os Olorosos de sete.

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As grandes regiões vinícolas do mundo: Itália

Seguimos nosso tour agora na Itália. Curiosamente, os italianos são os maiores produtores e consumidores de vinhos do mundo. Especula-se que cerca de 100 litros de vinho são consumidos per capta ao ano. Além de encabeçarem as importações de vinhos do mercado dos Estados Unidos com 60% do que entra lá. Pode-se dividir a produção do país em geograficamente em 3 grandes regiões com sub divisões: na região norte, temos forte influência francesa; a região central onde fica a Toscana; e a região sul com a tradicional fabricação dos vinhos fortificados.
As leis que regem os vinhos italianos são diferentes das conhecidas AOC francesas, mas regulamenta de forma unificada todo o setor vinícola do país, desde as uvas utilizadas até as quantidades de álcool, passando por restrições de áreas de plantio. São elas:

Vino da Távola
São os conhecidos vinhos de mesa, os mais simples e baratos, usados no dia a dia, durante as refeições ou apenas pelo hábito de tomar um cálice da bebida. Curiosamente, essa categoria também abrange alguns vinhos conhecidos como Super Toscanos que são mais caros e elaborados.

D.O.C. (Denominazione di Origine Controllata)
Essa denominação indica que o vinho veio de uma região demarcada e de produção controlada.

I.G.T. (Indicazione Geografica Tipica)
Essa indicação entrou nas leis que regem a produção italiana em 1992, substituindo a Vini Tipici como a mais simples – e de menor qualidade – entre as categorias italianas. Isso aconteceu para dar mais flexibilidade à produção. Porém, na contramão da nova regra, alguns vinhos mais elaborados e caros que eram tidos como Vino da Tavola, caíram na I.G.T.

D.O.C.G. (Denominazione di Origine Controllata e Garantita)
Atualmente, existem apenas 14 vinhos na lista da mais alta classificação italiana. Outros produtores podem requisitar a certificação D.O.C.G., que significa que o vinho não só tem a sua origem garantida, como também, todo seu processo de fabricação é controlado de forma rigorosa, com a intenção de garantir a qualidade.

Piemonte
Localizada a noroeste da Itália, essa região é responsável pelos melhores vinhos tintos da Itália. É a casa dos famosos tintos Barolo DOCG, Barbaresco DOCG e Gattinara DOCG, mas também produz ótimos brancos e espumantes de qualidade Altíssima. As principais uvas são: Nebbiolo, Barbera, Dolcetto, Brachetto, Bonarda, Cortese, Arneis, Chardonnay e Moscato.

Lombardia
Ainda no noroeste italiano, temos a região da Lombardia, a mais industrializada da Itália. As regiões produtoras são Valtellina com vinhos leves; Oltrépo Pavese com a maior produção de zonas DOC, tendo controle e direito sobre mais da metade da produção de vinhos tintos e brancos da região; e Franciacorta, responsável pelos melhores espumantes feito pelo método Champenoise. As principais uvas da região são: Pinot Blanc, Chardonnay, Trebbiano, Malvasia, Gargena, Reno Italic, Lugana di Trebbiano, Nebbiolo, Dolcetto e Bonarda.

Veneto
A nordeste do país é a mais extensa da região. É a casa dos vinhos Soave e Valpolicella. Também é a terceira região italiana mais importante em produção – apenas atrás de Puglia e Sicilia – e fabrica os mais famosos vinhos italianos, como o Prosecco. As principais castas são: Corvina, Rondinella, Molinara, Garganega, Trebbiano, Chardonnay, Pinot Blanc, Prosecco, Pinot Grigio e Tocai Friulano.

Emilia-Romagna
Fica na região central da Itália e seu filho mais famoso é o Lambrusco, um vinho que pode ser frisante ou seco, é bastante saboroso. Sua única produção de DOCG é o Albana di Romagna DOCG, feito com uvas do mesmo nome. As principais cepas são a Lambrusco, Albana, Montepulciano e Verdicchio.

Toscana
A mais famosa região italiana, também uma das mais antigas, sendo famosa desde 1816, fica no centro do país entre Siena e Florença. A costa da Toscana é a região vinícola que mais cresce no país; as colinas centrais são as responsáveis pelo renascimento dos vinhos e por instaurar o novo padrão para toda a Itália. Ainda dentro da produção toscana, existem os Supertoscanos, vinhos que surgiram de inovações em práticas tradicionais e enraizadas, mas que fugiam das especificações do país, mas que enriqueceram de maneira surpreendente o mercado viticultor italiano, superando os clássicos em prestígio e preço. As principais uvas são: Sangiovese, Trebbiano, Malvasia, Vernaccia di San Gimignano, Grechetto, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Chardonnay e Montepucliano.

Sicília
A ilha ao sul da Itália é conhecida pelo vinho de sobremesa Marsala, por seus vinhos âmbar doces e ricos. A região vem ganhando respeito pelos vinhos encorpados e de alto teor alcoólico. Mesmo que não possua nenhuma região DOC, no vinhedo de controle do Estado, as uvas são cultivadas em regiões mais altas para compensar as altas temperaturas. As principais castas são: Nero D´Avola e a Aglianico, mas também há a presença de uvas francesas.

Além das divisões por região e qualidade, os vinhos italianos ainda podem ser classificados como:
• Riserva: vinho que ficou em repouso, envelhecendo, mais tempo do que a média;
• Superiore: vinho de maior graduação alcoólica;
• Classico: vinho que vem do coração da região DOC a qual pertence;
• Novello: vinho jovem;
• Secco, Abboccato, Amabile e Liquoroso: respectivamente, vinho seco, ligeiramente doce, doce e fortificado;
• Frizzante: vinho com efervescência leve;
• Spumante: vinho com maior efervescência, de fato um espumante.

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As grandes regiões vinícolas do mundo: França

Ah, a França! Terra famosa por suas paisagens, sua cultura e seus vinhos. Também falam do mau humor e do esnobismo parisiense, mas, aparentemente, as belezas do país acabam por sobressair. Os melhores vinhos do mundo são feitos lá, o que há de mais importante em termos de terroir também se concentra nesse pedaço do Velho Mundo (e aqui é bastante importante frisar a expressão Velho Mundo, já que no universo dos vinhos as coisas se dividem em Velho e Novo Mundo). Porém, a produção vinícola francesa não se concentra apenas em uma área do país; pelo contrário, ela espalha-se de norte a sul, sempre trabalhando para manter a fama e o nível elevado das bebidas ali produzidas.
Aqui, fazemos um breve resumo das regiões, suas localizações geográficas e principais uvas.

Alsácia ou Alsace
Fica na região nordeste do país, na fronteira com a Alemanha – inclusive, foi parte do território alemão por várias vezes ao longo dos séculos. Os vinhos feitos aqui são, em sua maioria, varietais e brancos. A Pinot Noir é, praticamente, a única uva tinta da região, sendo responsável também pelo rosés. A Alsácia também não segue as apelações de origem francesas, tendo a sua própria, chamada Alsace. As principais uvas são: Riesling, Gewurtraminer, Pinot Gris, Muscat d’Alsace, Sylvaner e Pinot Blanc.

Bordeaux
Sem qualquer dúvida é a região mais importante quando se fala em vinho. De lá vêm os de maior reputação, os mais caros e os melhores. Localizada a noroeste no território francês, seus vinhedos datam de 1855 e, apesar de ser famosa por seus vinhos tintos, abriga também Sauternes e Barsac, os melhores brancos do mundo. São mais de 57 apelações de origem as encontradas na região e o segredo aqui é procurar pelas qualificações dos vinhos nos rótulos, que vão do premiére a cinquème. As principais castas são: Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Petit Verdot, Sauvignon Blanc, Sémillon, Muscadelle e Petit Verdot.

Borgonha ou Borgogne
É a segunda região mais importante da França, terra dos vinhos intensos, delicados e de fácil apreciação. Sua produção se divide harmoniosamente entre tintos e brancos com a mesma excelência. Alguns dos vinhos mais caros – como o Romanée-Conti – são de Borgonha. Localizada no centro-oeste do país, também tem como destaque o vinho Beaujolais, também conhecido como Beaujolais Nouveau, é um vinho jovem e fresco, recomenda-se o consumo em até um ano da fabricação ou ele acaba por perder sua grandiosidade. As principais uvas são: Chardonnay, Pinot Noir e Gamay.

Champagne
No nordeste da Fraça, Champagne dispensa maiores apresentações, afinal é comumente confundida com seu vinho mais famoso. O vinho branco espumante produzido em Champagne divide-se em 6 categorias de acordo com o método de fabricação e mais seis relativas a quantidade de açúcar. As cepas principais são: Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay.

Corse ou Córsega
Localizada numa ilha no litoral mediterrâneo ao sul da França, essa região cultiva mais de 40 variedades de uvas e possui três apelações de origem. Os vinhos tintos vindo de lá, em sua maioria, são leves e rápidos, porém existem alguns mais tânicos e que melhoram bastante com o envelhecimento. Os rosés são feitos para consumo enquanto ainda jovens.

Côtes du Rhône
Encontra-se no sudeste da França, é a região vinícola mais antiga do país, estendendo-se desde Vienne até Avignon. Produz vinhos de cor profunda e intensa, com notas florais e de especiarias, além de ser a casa dos famosos Hermitage. Sua especialidade são os tintos, mas também fabrica grandes vinhos rosés e alguns brancos. As principais castas são: Syrah, Cinsault, Grenache, Mourvèdre, Carignan, Counoise, Gamay, Pinot Noir, Viognier, Marsanne, Roussane, Bourboulenc, Clairette e Muscat.

Provence
Formando um polígono entre as cidades de Marseille, Toulon, Saint-Tropez e Nice, a região fica entre os Alpes da Alta Provence e o litoral do Mediterrâneo. Além de produzir bons tintos e brancos,a área é famosa por seus grandes rosés. Tem como principais AOC Côtes de Provence, Bandol, Coteaux d’Aix, Les Baux-de-Provence e Coteaux Varois e as cepas prinipais são: Braquet, Cabernet Sauvignon, Carignan, Cinsault (Cinsaut), Grenache, Mouvèdre, Fuella, Syrah, Tibouren Bourboulenc, Clairette, Rolle e Ugni Blanc (Saint Emilion).

Val de Loire
Fica a noroeste no território francês e compreende a extensão do rio Loire. Mesmo que tenha AOC, os vinhos lá produzidos são tão variados que é difícil listar características comuns; vai dos vinhos brancos seco aos licorosos, dos suaves aos intensos, passando por rosés e mais algumas outras variações. As principais uvas são: Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Gamay, Grolleau, Malbec (Côt), Pineau d”Aunis, Pinot Noir, Pinot Meunier, Pinot Gris, Chardonnay, Chenin Blanc, Muscadet e Sauvignon Blanc.

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E o que é esse tal Terroir?

Essa palavra que aparece comumente ligada a qualidade de vinhos. Mas o que isso quer dizer exatamente? E por que é tão importante no mundo enófilo?

Terroir é uma expressão de origem francesa sem uma tradução exata. O mais próximo que os especialistas conseguem chegar de uma definição é “a interação entre as condições físicas e naturais e as ações do homem num determinado terreno”. Ou seja, fatores como clima, incidência de raios de sol, quantidade de chuva, vento, umidade, composição do solo, altitude, relevo e como o homem lida com essas variáveis influenciam o resultado final do vinho.

Ao contrário do que se acredita, o terroir não é uma combinação que acontece por milagre divino. Se existem parreirais centenários em paisagens idílicas, eles não estão por acaso, são fruto de conhecimento, experimento e experiência. Após anos de colheitas espalhadas por diversas partes de um terreno, é possível identificar de que local, exatamente, vêm as melhores uvas; assim como é mais fácil identificar qual variedade se adapta às condições. É assim que se alcança a excelência dos grandes vinhos: escolhendo desde a localização da área de plantio até a uva a ser cultivada ali – passando por todos aqueles fatores já falados aqui.

Atualmente, tem-se por costume associar terroir a vinhos de qualidade, mas nem sempre foi assim. Aliás, ainda não é bem assim, mas vamos por partes: no século XIX, os mesmos termos utilizados para os grandes vinhos (de terroir e cru) eram atribuídos a vinhos de qualidade inferior, que só serviam a gente inferior. Há alguns anos, quando os vinhos do chamado Novo Mundo atingiram certo nível de qualidade, os produtores europeus precisaram buscar um diferencial, afinal, perdiam uma grande fatia do mercado para jovens marcas que ofereciam grande qualidade a preço baixo. Dessa maneira, convencionou-se o uso “vinhos de terroir” para justificar os preços, afinal, a singularidade de um terroir jamais poderia ser repetida, não importa o quanto de dinheiro e tecnologia se empregue nisso. Os produtores do Novo Mundo não se fizeram de rogados e adotaram o termo também; justificando suas teses de que vinho de terroir é apenas uma jogada de marketing.

A “banalização” do termo terroir levanta questões importantes no mundo vitivincola, especialmente no que diz respeito às apelações de origem. E isso está guiando os órgãos regulamentadores a criar uma definição específica e mais detalhada do que seria o terroir de fato, que é muito bom, porque facilita não só o trabalho dos grandes produtores, como o entendimento dos novatos a respeito desse aspecto importante da produção de vinhos.

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